... um pouco da história de Valinhos

Para entendermos e conhecermos melhor a história de Valinhos é necessário que se jogue um foco de luz sobre os primórdios, ou seja, sobre os acontecimentos anteriores ao dia 28 de maio de 1896, marco da elevação de Valinhos à categoria de Distrito de Paz.

O primeiro marco em nossa história registra a concessão de uma sesmaria ao sesmeiro Alexandre Simões Vieira no dia 2 de dezembro de 1732, que foi outorgada pelo presidente de São Paulo, Antonio Luiz de Távora, o conde de Sarzedas. Conta a história que Alexandre Simões Vieira abriu um caminho novo de Jundiaí aos Goiazes, tendo como paragem um ribeirão chamado Pinheiros. Este trajeto novo tinha por objetivo substituir o então caminho da Vila de Jundiaí até a paragem chamada Campinas do Mato Grosso, por este ser ruim e muito longe. Até então, o caminho utilizado era conhecido como Estrada de Goiás, que passou a ser bastante utilizado a partir de 1722 com a descoberta de ouro em Goiás.

No período em que a sesmaria foi outorgada, Campinas ainda era denominado como bairro de Mato Grosso das Campinas, pertencente ao município de Jundiaí. Em 1741, Francisco Barreto Leme, juntamente com sua família fixa-se na região e dá início a um povoado. Em 1774, o então bairro de Jundiaí é elevado à categoria de Distrito e, em 16 de novembro de 1797, Campinas torna-se município.

A partir daí, não se sabe precisar quando foi fundada a vila de Valinhos. Porém, na área onde está localizado o município hoje, já naquele período se constata o desenvolvimento através de grandes fazendas. A fazenda Dois Córregos, onde atualmente se localiza o bairro Dois Córregos, pertenceu ao Brigadeiro Luiz Antonio, tido como o homem mais rico da capitania, que chegou a possuir só em Campinas 16 engenhos de açúcar.

Outro dado importante sobre nossas origens, aconteceu durante a epidemia de febre amarela que arrasou Campinas no ano de 1889. Segundo cálculos feitos pelos médicos da época, a população de Campinas, que era de 20 mil pessoas foi reduzida a quatro mil, não que a maioria tenha morrido, mas, sim, que as mesmas, com medo da doença fugiam da cidade.

No dia 31 de abril daquele ano, a então Valinhos foi palco de uma importante reunião da Câmara Municipal de Campinas, que aqui esteve para cobrar do governo Provincial a convocação da Assembléia Legislativa, para que a mesma, em sessão extraordinária tomasse providências sobre o saneamento da cidade, para que se evitasse desta forma o aparecimento de novas epidemias. Neste ano, Valinhos não foi atingido pela epidemia, o que não aconteceu em 1890, quando uma nova epidemia, de menor proporção, atinge Campinas.

No dia 3 de junho de 1890, o médico Corrêa Dutra, Chefe da Comissão médica enviada pelo governador do Estado, apresenta seu relatório sobre a nova epidemia, onde afirma que dentre outras localidades da cidade de Campinas, Rebouças (Sumaré -1960), Santa Bárbara, Boa Vista e Valinhos foram bastante atingidas pela moléstia.

Foi em função da epidemia da febre amarela de 1889, que foi transferida para Valinhos a Sexta Secção Eleitoral de Campinas, pois muitos dos campineiros buscaram refúgio em Valinhos. Com isso, o futuro distrito de Valinhos começa a ser desenhado. No ano de 1893, o Diário Oficial do Estado, do dia 1º de setembro publica em sua página 7840, dentro do Expediente da Secretaria dos Negócios da Justiça, ato de criação do "Distrito Policial de Valinhos".

O tráfego ferroviário pela Cia. Paulista de Estrada de Ferro de Jundiaí a Valinhos teve início em 28 de março de 1872. Com a precariedade das estradas, as cargas sendo transportadas no lombo de mulas e burros, os trens passaram a ter grande importância, servindo inicialmente para o transporte das sacas de café em grãos, com destino ao Porto de Santos.

Conforme relato do historiador Benedito Otávio, em 1907, ao inaugurar-se a Cia. Paulista o tráfego ainda era pequeno na Vila de Valinhos, crescendo após a lei de 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão. Com a abolição, havia falta de mão-de-obra e os primeiros imigrantes italianos começaram a chegar em 1888 dando um novo impulso na agricultura.

As inúmeras fazendas cafeeiras que proliferavam em toda região, motivaram a construção da ferrovia. Em 28 de maio de 1896, a pequena, mas próspera vila de Valinhos foi elevada à categoria de Distrito de Paz, que utiliza as mesmas divisas do Distrito Policial criado em 1893 para definir os limites do novo distrito.

Se Valinhos teve projeção nacional e, por que não, internacional, isso se deve a seu principal produto agrícola, o Figo Roxo, introduzido em terras valinhenses pelo imigrante italiano Lino Busatto no ano de 1901. A partir de 1910, o figo já é produzido em escala comercial, o que torna Valinhos conhecida nacionalmente como a Capital do Figo Roxo.

No dia 30 de dezembro de 1953, o Governo do estado promulga a lei 2456, criando o município de Valinhos. A primeira eleição acontece no dia 3 de outubro de 1954, sendo eleito Jerônymo Alves Corrêa o primeiro prefeito, com 1832 votos. O município é oficialmente instalado no dia 1º de janeiro de 1955, quando tomam posse o prefeito e os 13 vereadores.

... sobre a origem de Campinas

A origem do povoamento de Campinas está ligada a abertura dos caminhos para o sertão de Goiás e Mato Grosso, feita pelos paulistas do Planalto de Piratininga. Uma dessas trilhas, aberta entre 1.721 e 1.730, chamou-se "Caminho dos Goiases". Logo instalou-se um pouso para descanso dos tropeiros que utilizavam esse caminho entre as vilas de jundiaí e Mogi-Mirim. Esse pouso ficou conhecido pelo nome de "Campinas do Mato Grosso" em razão da formação de três pequenos descampados ou "campinhos" em meio a densa mata. 0 povoamento efetivo começou com a chegada de Francisco Barreto LemeFrancisco Barreto Leme, vindo de Taubaté entre 1.739 e 1.744. Veio com sua família e conterrâneos e fixou-se em terras adquiridas do que era uma antiga sesmaria. No ano de 1.767, eram 185 as pessoas que moravam no bairro de Mato Grosso, segundo um recenseamento. A economia baseada na agricultura de subsistência e os recursos disponíveis eram mínimos. Em 1.722 foi solicitada licença para a construção de uma capela devido à grande distância das igrejas mais próximas de Jundiaí. Através de pressões políticas, as autoridades eclesiásticas concederam, em 1.773, autorização para a construção de uma igreja Matriz ao invés de uma simples capela. Isso significou a emancipação religiosa de Campinas, embora a vila continuasse dependente politicamente de Jundiaí. No mês de maio de 1.774, o então governador da Capitania de São Paulo, Morgado Mateus outorgou a Barreto Leme a fundação do núcleo e estipulou algumas medidas urbanísticas básicas para o local. No dia 14 de julho de 1.774, em uma capela provisória, foi celebrada a primeira missa por Frei Antônio de Pádua, primeiro vigário da nova paróquia. Essa data ficou sendo a data oficial da fundação de Campinas. Já em 1.775, foi criado o Distrito de Conceição de Campinas. Em 1.797 foi elevado A condição de vila com o nome de São Carlos, surgindo assim o município com território desmembrado de Jundiaí. Eram 2.107 habitantes e pouco mais de quatrocentas casas.

Campinas 1927A denominação de São Carlos nunca prevaleceu junto à população, tanto que no ano de 1.842 a vila foi elevada a categoria de cidade com o nome, já tradicional, de Campinas. A economia regional foi marcada inicialmente pela lavoura canavieira e a indústria açucareira, com uso significativo de mão-de-obra escrava. A economia passou gradativamente, da monocultura açucareira para a monocultura cafeeira no início do século XIX. Em 1.830, o café já estava consolidado na região, de modo que em 1.854 havia em Campinas 117 fazendas com a produção anual de mais de 300.000 arrobas de café. A seguir, vieram os imigrantes europeus, substituindo, gradualmente, a mão-de-obra escrava nas fazendas e nas ferrovias. Aos poucos, apesar de ser urna sociedade conservadora devido à monocultura, ao patriarcalismo e a escravidão, o acúmulo de capital gerado pela agricultura desenvolveu o setor terciário (comércio e finanças), criando a infra-estrutura capaz de organizar o crescimento industrial a partir do final do século XIX.

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